Participação da Professora Analu Matsubara em matéria sobre Cancer na Revista VivaSaude!

Em participação recente para a revista VivaSaúde a professora Analu Matsubara instruiu como a prática de Yoga pode auxiliar no tratamento dos sintomas relacionados ao câncer.

A participação da professora Analu pode ser vista revista física (matéria disponível nesse link)

Uma segunda opção é a ioga, que trabalha corpo e respiração. “O câncer traz efeitos colaterais como perturbações de humor, ansiedade, fadiga, dores e sensações de isolamento. Um programa de ioga buscará identificar os sintomas que mais afetam o bem-estar do paciente”, descreve a educadora física Ana Luisa Matsubara (SP)

Yoga-enxaqueca

10 Formas de driblar a dor de cabeça

Em entrevista recente para a revista VivaSaúde a professora Analu Matsubara instruiu como a prática de Yoga pode auxiliar na redução de dores de cabeça.

A participação da professora Analu pode ser vista na matéria condensada no site da revista (nesse link) e também na revista física (matéria disponível nesse link)

O yoga cria, por meio de suas posturas (asanas) e práticas de respiração (pranayamas), uma descompressão musculoesquelética e nervosa.“A descompressão advinda, por exemplo, de um alongamento da espinha, alivia tensões e cargas que favorecem a diminuição de quadros ligados às dores de cabeça em geral”, destaca Ana Luisa Matsubara, instrutora do Estudyo Iyengar Yoga São Paulo. Ao praticante iniciante, são indicadas duas aulas por semana com duração mínima de 1h30. “É recomendado que o que foi assimilado em sala de aula seja replicado diariamente por 20 a 30 minutos”, complementa.

Criando harmonia a partir do caos

O corpo humano consiste em milhões e milhões de células agrupadas em milhares de tecidos que, por sua vez, se conectam para formar os órgãos. Esses órgãos funcionam em coesão e formam diferentes sistemas fisiológicos do nosso corpo, como, por exemplo, o digestório, o cardiovascular, o excretor, o respiratório, o nervoso e o endócrino. O corpo é dividido em diferentes sistemas fisiológicos mais por conveniência, para facilitar o entendimento dos estudantes de anatomia e fisiologia. Entretanto, esses sistemas, esses órgãos, não funcionam independentemente um do outro. Cada um desses órgãos realiza ações e funções além daquelas “atribuídas” a eles. Por exemplo, ainda que o fígado e o pâncreas sejam vistos como órgãos digestivos, eles também desempenham um papel na respiração. De fato, o corpo humano seria um sistema caótico se todos esses órgãos e sistemas funcionassem independentemente. A harmonia entre os sistemas é responsável pelo funcionamento fluído do complexo corpo humano.

Os braços e pernas são considerados órgãos de ação. Sua função, contudo, não se restringe a ação e movimento somente, mas eles também afetam o corpo orgânico. Ásanas são muitas vezes (mal) entendidos ou traduzidos relapsamente como exercícios ou movimentos corporais. Isso porque ásanas são realizados por diferentes tipos de ações do corpo e no corpo. Por exemplo, se estamos executando Bharadvájásana e seguramos a coxa esquerda com a palma da mão direita, então a palma direita não é usada “somente” para suportar a espinha quando ela gira, mas também para trazer movimento/ação em diferentes partes do corpo. Isso pode ser compreendido se você imaginasse que os braços não fossem “vivos”, mas somente elementos externos, de madeira, utilizados para suporte, então não haveria “vida” no ásana. Bharadvájásana então se tornaria um exercício e não um ásana.

O braço é efetivamente utilizado para realizar diferentes movimentos nos diferentes órgãos do corpo, assim como pulmões, fígado, pâncreas e intestino. A mão em Bharadvajasana pode ser utilizada para acessar a espinha dorsal e desta forma atuar nos pulmões; ou pode ser utilizada para agir no banda diafragmática e assim trabalhar nos órgãos abdominais superiores – fígado, pâncreas e rins; ou, ainda, a mão pode ser utilizada para trabalhar a parte inferior da espinha dorsal e os órgãos abdominais inferiores. A mão pode efetivamente ser utilizada para agir em diferentes partes do corpo. Além disso, o efeito dos braços nas diferentes partes do corpo é afetado pela respiração. Quando torcemos a espinha em Bharadjávásana enquanto expiramos, o efeito é sentido mais na espinha. A rotação da espinha é restrita quando executamos o ásana com inspiração. Há uma mudança total no estado mental em ambos os casos.

Toda ação traz em si dois tipos de vibração (spanda em Sânscrito). Essas vibrações podem ser de ação (kriyá spanda) ou de sensibilidade (samvit spanda). Como um iniciante na prática de ásanas todas as nossas ações são densas e levam a uma vibração de ação. Mesmo quando iniciamos nossa prática o corpo está lento e existe mais ação, mais kriyá. Todas as nossas ações são inicialmente ditadas pela vibração de ação ou kriyá spanda e há pouca vibração de sensibilidade ou samvit spanda.

Gradualmente, conforme progredimos na prática, devemos tentar trazer menos kriyá e mais samvit para nossos ásanas. Essa mudança na orientação da nossa prática pode ser alcançada através de uma mudança no foco de atenção e no movimento enquanto executamos o ásana.

Usando o exemplo do Bharadvájásana outra vez, se executá-lo com uma exalação forte focada na região pélvica haverá mais kriyá nos braços – de fato você sente o movimento dentro dos braços do centro para a periferia. Quando se executa o mesmo ásana com uma inalação forte focada na região torácica então há mais kriyá spanda, mas sua localização de kriyá spanda nos braços é distinta – mais na parte superior dos braços. Entretanto, quando se executa o mesmo ásana com uma exalação na região da face, há um salto de kriyá para samvit.

Outra forma de passar de kriyá para samvit é observar a respiração – nas narinas ou na região torácica, ou onde se puder sentir de forma mais clara a respiração enquanto se executa e mantém o ásana. Enquanto tentar manter o ritmo da respiração, haverá mais samvit spanda que kriyá spanda. O praticante perceberá como se a sensação nos braços se move da periferia para o centro. Um processo de internalização.

Mas não é possível seguir adiante aumentando sempre o samvit spanda (vibração de sensibilidade). Um colapso é eminente. A fase samvit deve ser intercalada com kriyá nesse ponto.

Para reiterar, cada ásana deve ser executado com um equilíbrio entre kriyá e samvit spanda. Como um iniciante, nosso ásana e prática é mais orientado para a ação. De qualquer maneira, conforme evoluímos na prática, assim como na nossa prática do dia, nosso ásana deve orientar-se mais para a sensibilidade. Isso pode ser alcançado através das técnicas descritas. Mas, quando a vibração de sensibilidade diminuir, o praticante deve recarregar com vibração de atividade.

O praticante está totalmente “internalizado” quando os ásanas são executados dessa maneira, o estado mental é bem diferente – muito calmo – um estado que para alguns pode estender-se mais além do que as palavras podem expressar.

Praticar ásanas como ásanas leva a uma neutralidade na polarização. Tudo pode permanecer calmo dentro de condições controladas. Mas permanecer calmo em condições extremas e desfavoráveis é o que o yoga nos ensina. A calma em diferentess situações e cenários segue de diferentes processos como uma caótica estação de trem tem um processo de quietude se comparada com um sereno templo ou santuário. Então, diferentes conjuntos de ásanas destinam-se a conquistar maior quietude e têm diferentes canais ou processos para atingi-la. Por exemplo, a quietude do ciclo do Sirsásana é um processo enquanto a quietude do ciclo do Sarvángásana é outro processo. A quietude de uma flexão para frente e de uma torção são processos diferentes. Esses processos ajudam o praticante a atingir a tão desejada quietude nos mais variados cenários. Assim o estudante aprende a alcançar a quietude em uma caótica estação de trem ou no caos do mercado de ações. O aluno está preparado para alcançar a quietude em uma condição de inquietude.

Um incremento na sensibilidade leva a um incremento emocional. E o emocional é necessário para aqueles que querem entrar em um estado meditativo. Meditação é uma profunda absorção e envolvimento e sem um apelo emocional o praticante não será absorvido ou envolvido. Então o emocional é uma faceta importante na prática yóguica e o yoga é primeiramente meditativo.

Autor: Prashant S. Iyengar
Yoga Rahasya – Vol. 9.4; 2002

Tradução livre: Ana Paula Vaz dos Santos
Revisão: Roberta Maran
Revisão e publicação: Jonathan Batista

Logo ABIY

Informações sobre o exame de certificação – 2018

Abaixo segue uma mensagem da Associação Brasileira de Iyengar Yoga (ABIY) para os interessados em prestar o exame de certificação em 2018.

Caros associados,
Namaskar.
Passada a primeira etapa na qual fizemos o levantamento dos candidatos interessados à certificação 2018, informamos que, tendo em vista o grande número de candidatos apresentados, teremos, em abril próximo as provas de Introdutório II, com a supervisão da professora Corine Biria, e Junior Intermediário I.

Como informado anteriormente, para prestar a prova de Junior I o candidato precisa ter passado na prova de Introdutório II há, no mínimo, dois anos. Ou seja, o candidato deve ter feito a prova de nível Introdutório II antes de abril de 2016.

Lembramos que, segundo a carta de Geetaji enviada às associações, deverão ser apresentadas duas cartas de recomendação dadas por professores que sejam certificados em, pelo menos, um nível acima do nível pretendido pelo aluno que está recomendando.

Esclarecemos aos candidatos com provas pendentes de reavaliação desde a certificação 2016, que será necessário reapresentar tais cartas.

Em breve serão abertas as inscrições com a divulgação das datas e local das provas, momento em que deverão ser apresentadas as cartas acima mencionadas.  Os candidatos também terão acesso ao novo “Guia do Candidato” com todas as informações necessárias ao Assessment 2018.

No que se refere aos candidatos às provas de Júnior Intermediário II e III,  e Sênior intermediário I e II, os mesmos poderão apresentar-se à certificação argentina, que acontecerá durante o mês de novembro de 2017. Para maiores informações indicamos que consultem o site da Associação Argentina.

Informamos-lhes que as cartas de recomendação deverão ser enviadas ao e-mail do Comitê de Certificação da ABIY (certificacao@iyengar.com.br) com a maior brevidade possível, e que deverão fazer sua própria inscrição no site da AAYI.

Informações sobre o exame de certificação - 2018

O Comitê de Certificação enviará a lista dos candidatos brasileiros com as correspondentes cartas à Associação Argentina. 
Muito obrigado,
COMITÊ CERTIFICAÇÃO ABIY.

Supta_Padangushtasana_Iyengar_Yoga_Sao_Paulo_1

Supta Padangushtasana – Astanga Yoga em um Asana IV

Supta Padangushtasana é uma posição muito eficiente, que nos guia em mais de 60% das posições que vemos em “Luz Sobre o Yoga”. A execução de Supta Padangushtasana deve ser entendida de forma clara, uma vez que compõe o cenário para posturas em pé, torções e flexões para frente. Supta Padangushtasana abre nossas mentes para um grande destino e é a base para Hanumanasana.

Supta Padangushtasana Iyengar Yoga Sao Paulo

“Somente a inteligência não irá resolver problemas, a menos que esteja conectada à observação. Primeiro observe e depois use sua inteligência.”

Antes de realizar o Supta Padangushtasana, faça “Supta” Tadasana (supta significa deitado). Observe a distância entre o fim do tapetinho e os calcanhares. De forma passiva alerte todas as partes do corpo que não estejam engajadas ou onde a inteligência não esteja fluindo e leve inteligência para estas áreas.

“Atividade e Passividade devem trabalhar juntas para alcançar melhor efeito em cada asana.”

Eleve a perna esquerda em Supta Padangushtasana. O pé direito não irá permanecer na sua posição inicial. Isso porque a mente se dirige àquela perna que está sendo elevada. Então, desça a perna esquerda e repita a postura de maneira consciente. O calcanhar do pé direito é a raíz, a base, e quando você eleva a perna esquerda, a raiz (calcanhar direito) não deve ser abalada. Agora, quando você eleva a perna esquerda, qual a sensação na raiz? Ela quer elevar-se também. O corpo está dizendo “Eu não posso segurar, então eu vou me elevar”. O que a mente deve fazer? Ela deve dizer “Não se mova. Eu vou guiar você, vou enviar estrutura para que a perna não se sinta mais leve.” Então, eleve a perna esquerda mantendo essa atenção mental.

“Tudo tem uma base. A inteligência básica de cada postura deve ser alcançada. A base é a fundação. Entenda primeiro a fundação e nada irá dar errado. Em cada posição, você deve retornar à base para que a estabilidade seja alcançada.”

Existe projeção atrás da parte de fora do joelho esquerdo, mas nenhuma projeção na parte interna do joelho esquerdo. Então, reajuste. Isso é conhecido como construção. Você está construindo seu Supta Padangushtasana.

“Raiz é a fundação.”

Estique suas pernas em Supta Padangushtasana. Antes de executar a postura, você deve pensar sobre qual é a sua raiz. Qual a sua raiz em Supta Padangushtasana? Os glúteos não são a raiz, eles são o gatilho, porque eles se movem mais rápido do que a virilha. Então a virilha é a raiz. Pressione a virilha contra o solo e eleve sua perna. Se a raiz se elevar, pressione-a novamente contra o solo. A raiz deve permanecer no chão, mas a energia deve se mover para cima. Você irá notar que a distância da parte interna da perna, entre a virilha e o joelho, aumenta. Quando você tenta levantar a perna, o calcanhar da perna que permaneceu no chão se mexe. Então, dobre um pouco as pernas e reajuste. Após o reajuste, eleve a perna esquerda, estabilize, e então extenda a perna direita.

“Yoga é alinhamento. No intuito de saber o que é alinhamento, é importante determinar o plano médio em cada parte do corpo. O plano medio é Deus! É o que traz a arte da precisão.”

Você sempre deve medir o quanto está estendendo a partir do plano médio para a parte externa, parte interna, parte frontal e traseira. Assim você estará equilibrado, exatamente no meio. Quando você eleva a perna esquerda, a patela do joelho esquerdo não se mantém exatamente no meio. Ajuste lentamente e traga-o de volta para o centro. Então, a parte de trás da coxa também se endireita e se torna paralela.

Leia mais: Saiba como começar sua prática pessoal em casa.

Agora, sinta a sensação próxima ao osso na parte interna do tornozelo e na parte externa do tornozelo. Ela não é a mesma. Crie a mesma sensação em ambas as partes. Agora veja o que aconteceu com o ligamento do joelho e com os músculos da panturrilha. Isso é conectar a mente de forma a ver cada parte.

Supta Padangushtasana Iyengar Yoga Sao Paulo

Observe a parte interna da perna, da virilha até o joelho, do joelho até o tornozelo. É curta da virilha até o joelho, mas longa do joelho até o tornozelo? Não deve haver diferença. No Supta Padangushtasana, o glúteo não deve se mover enquanto eleva a perna. Mantenha o glúteo pressionando para baixo, movimente a perna para frente, em direção a cabeça e então sinta a diferença no movimento.

“Em cada asana, se a parte do corpo que está em contato com o chão está em ´bom contato´ então o asana está sendo bem executado.”

Quando a perna esquerda é elevada, sua mente está direcionada em segurar o dedão do pé. Então, você perde o contato da lombar inferior com o chão. Dobre a perna direita, mantenha a lombar inferior para baixo e ajuste. Agora, quando elevar a perna direita e esticá-la, talvez a lombar se eleve um pouco. Então, erga levemente a perna direita, estique-a, e alongue bem, movendo a lombar para baixo. Assim, haverá simetria em ambas as pernas e nenhuma dor nas costas.

A parte baixa da sacro ilíaco é como um pepino, fina e densa. Toda essa região não toca o chão. É por isso que você deve dobrar o joelho e mover a região com seus dedos em direção às pernas. Registre qual parte do glúteo toca o chão quando a perna está dobrada. Qual sua forma? É circular? Então, mantenha este registro de formato quando extender a perna. Agora, dobre seu joelho esquerdo novamente, mantenha o pé no chão e ajuste o glúteo, volte a buscar aquele registro. Dobre sua perna esquerda e eleve sua perna direita, segure no dedão e extenda a perna direita. Perceba como o glúteo esquerdo toca o chão, da parte interna até a parte externa. Ambas as laterais tocam o chão de maneira equivalente? Se não tocam, o glúteo se moveu para dentro ou para fora. Se foi para fora, você deve mover a virilha em direção ao chão, caso tenha se movido para dentro, você deve ajustá-lo com seus dedos. Agora extenda a perna direita, olhe para o seu queixo, olhe para o seu calcanhar e olhe para a parte interna do pé, do dedão até o calcanhar. Uma leve inclinação pode ainda existir, a parte superior da perna, que é mais bruta, se inclina mais. Observe a linha do dedão até o calcanhar interno. Está reta ou torta? Se houver uma parte da perna que esteja torta, ainda que pequena, isso significa que todo o topo da perna está torto. Ajuste essa parte e observe o que acontece com a porção frontal da parte superior da perna. Ela se move e se auto ajusta.

“Não deixe nenhuma saída pela qual a energia possa escapar de Supta Padangushtasana”

Observe, a energia da parte externa do joelho até a parte externa do glúteo está subindo ou descendo? Ela sobe na parte externa e desce na parte interna da perna. Como pode haver uma divisão, quando a perna é a mesma? Você consegue entender como o prana está atuando? Então, se a energia está se movendo da periferia até a raiz, que é a virilha, na parte interna da perna, como a energia da parte externa da perna está se espalhando da raiz para algum lugar no calcanhar? Mova a energia para que seja uma linha. Uma sensação tranquilizante é sentida na perna. Observe as mudanças psicológicas ao acalmar os nervos. Agora, sem modificar a firmeza da perna direita, dobre sua perna esquerda. Ajuste o sacro e a osso pélvico para que toquem o chão de maneira equilibrada dos dois lados. Você deve mover a energia para longe do cóccix para mover o corpo estrutural.

“A energia deve fluir por tudo, como um rio.”

Ao estender a perna esquerda no chão, role a pele dos músculos da coxa de fora para dentro. A sensação na coxa é diferente. Sinta a parte de fora e de dentro da panturrilha e estenda a perna. Se a extensão é mais focada nos músculos externos da panturrilha então significa que seu calcanhar interno está virado em direção a sua virilha, então estenda-o para fora.

Relaxe a pegada da mão e estenda ambas as pernas no chão, sem perturbar a posição dos glúteos. Agora verifique se ambos os calcanhares estão paralelos.

Para manter os calcanhares paralelos, não mova a parte baixa do sacro enquanto segura o dedão da perna direita. Se ela tocar uniformemente o chão, então não há distorção da perna. Dobre a perna esquerda, coloque o pé no chão e estenda o calcanhar interno, esticando a perna esquerda no chão. Existe um ritmo neste movimento.

Qual o foco desta postura? Qual seu objetivo do Supta Padangushtasana? Por que ela foi introduzida nos rishis? Esse objetivo foi alcançado pelos meios? Quais são os meios? Tudo isso deve ser podado e organizado e, uma vez podado, você chegará a um entendimento claro de que é a única maneira e que não existe outra maneira.

“Olhar mentalmente é sentir.”

Comece com a perna direita, mantendo inicialmente a perna esquerda dobrada. Sinta como toda a parte de trás do corpo está paralela ao chão. Você deve estar mentalmente atento para sentir como os poros da pele se movem, em que direção eles se movem?

Supta Padangushtasana Iyengar Yoga Sao Paulo

A forma, a sensação de coesão das costas se modifica no momento em que você levanta a perna. Você consegue levantar a perna mantendo a forma e a sensação? Segure o dedão da perna elevada e meça a distância entre o cóccix e o glúteo da perna extendida. Qual é o espaço entre o cóccix e o glúteo da perna dobrada? Ambos devem ser quase idênticos. Lentamente estenda a perna esquerda mantendo a mesma distância. Isso é conhecido como chitta vritti nirodah do glúteo. Você deve dizer “eu não vou mover nem uma célula desta posição enquanto estendo a perna. Eu não vou perturbar nada para estender a perna. Eu vou estender somente a partir de minha perna e de nenhuma outra parte do meu corpo.”

Quando você retorna com a perna direita, que estava elevada, e a posiciona ao lado do pé esquerdo, você irá sentir como se a perna que estava elevada fosse mais longa. A perna esquerda parece mais curta e indica quantas células se encurtaram sem seu conhecimento.

Agora, tente elevar a perna esquerda sem perturbar a perna direita. O glúteo começa a oscilar como uma xícara no pires. Se você fosse encher de chá, você iria derramá-lo. O conteúdo é perturbado quando se perturba o contenedor, derramando-o na direção errada. Agora observe o movimento, observe o espaço entre a virilha e a parte frontal e interior, deve ser igual. Agora, quando você soltar a mão da perna e a baixar, você não vai sentir que uma é mais longa do que a outra.

Supta Padangushtasana Iyengar Yoga Sao Paulo

Compilado dos ensinamentos de Yogacharya B.K.S. Iyengar durante o Iyengar Yoga Festival, 1998 e Silver Jubilee Celebrations, 2000.

“O máximo de hoje será o mínimo de amanhã.”
B.K.S. Iyengar

  • Texto original: Arti H. Mehta
  • Tradução livre: Ana Paula Vaz dos Santos
  • Revisão: Roberta Maran
  • Revisão e Publicação: Jonathan Batista
Dia_internacional_do_yoga

Mensagem do RIMYI sobre o Dia Internacional do Yoga – Junho 2017

Recebemos pedidos de várias associações e professores para que fosse sugerida uma seqüência de prática para o terceiro Dia Internacional de Yoga (21/06/2017), pensamos que se a nossa grande família Iyengar Yoga em todos os continentes praticasse a mesma sequência, esta seria nossa pequena homenagem ao Guruji.

Sempre que falamos sobre Iyengar Yoga, falamos sobre precisão e alinhamento. Nós insistimos que as pernas e os braços devem ser retos em qualquer asana, os professores insistem nesse alinhamento: “Mantenha os joelhos firmes e compactos. Trave os cotovelos. Torne as pernas fortes e ativas” são instruções que muitas vezes damos e ouvimos. É essa agudeza e precisão nos asanas do Luz sobre o Yoga que atraiu milhões de pessoas. É a precisão na apresentação de Guruji que inspirou gerações de yoga sadhaka-s. Por que essa insistência na precisão e alinhamento? É meramente um apelo estético? Guruji disse:

“Se o corpo está torto a mente está torta”.

Quando o corpo está reto, alinhado, a inteligência flui, se houver depressões e curvas, a inteligência não pode fluir. Quando a inteligência não flui, não há consciência. Há estagnação e o asana fica sem vida. E, se for assim, como pode ser saudável? Guruji muitas vezes nos deu a analogia do rio que flui, onde há o frescor constante de momento a momento.

Então, neste dia internacional do Yoga, estaríamos fazendo asanas que nos lembrem desse legado, essa tradição de nosso adorado e reverenciado Guruji. Os alunos têm diferentes níveis de experiência, assim o professor deve decidir qual desses asanas pode ser feito por eles e usar acessórios conforme a necessidade.

Dia Internacional do Yoga

  • Tadasana
  • Urdhva Hastasana
  • Urdhva Baddhaguliyasana
  • Uttanasana
  • Utthita Trikonasana
  • Ardha Chandrasana
  • Virabhadrasana I para Virabhadrasana III
  • Parsvottanasana
  • Parivrita Trikonasana
  • Prasaritta Padotanasana
  • Sirsasana
  • Parsva Sirsasana
  • Upavistha Konasana in Sirsasana or Eka Pada Sirsasana
  • Adho Mukha Svanasana
  • Urdhva Mukha Svanasana
  • Chaturanga Dandasana
  • Dandasana
  • Navasana
  • Ardha Navasana
  • Urdhva Prasaritta Padasana
  • Supta Padangusthasana
  • Parsva Supta Padanguhthasana
  • Parivritta Supta Padangusthasana
  • Upavistha Konasana
  • Parsva Upavistha Konasana
  • Sarvangasana
  • Eka Pada Sarvangasana
  • Halasana
  • Supta Konasana
  • Parsva Halasana
  • Paschimottanasana
  • Savasana
  • Viloma 1 and 2 Pranayama
  • Ujjayi Pranayama
  • Savasana

Traduzido por Luciana Brandão, revisado por Jonathan Batista

Entrevista_Yoga_Analu_Matsubara

Entrevista com Analu Matsubara no Jornal da Vila

Entrevista_Yoga_Analu_MatsubaraA professora e idealizadora do Estudyo Iyengar Yoga São Paulo, Analu Matsubara esteve recentemente em entrevista ao Jornal Pedaço da Vila.

Confira uma parte da entrevista:

Pedaço da Vila: Em 2005 você fundou o Estudyo Iyengar Yoga São Paulo, dedicado ao ensino e disseminação do método… Fale um pouco sobre isso…
Analu Matsubara: Foi um “parto natural” no sentido de que, paulatinamente, tudo o que o meu sistema físico, emocional e mental acabava absorvendo da prática, seguia num curso para ser levado às demais pessoas para que elas pudessem também se beneficiar. O meu constante aperfeiçoamento e estudo me levaram a galgar vários níveis de certificação perante a Associação Brasileira e me conduziu a multiplicar o método juntamente com as palestras, cursos e workshops em nível nacional.

Pedaço da Vila: Existe uma idade adequada para começar a praticar esse método? Como são as respostas dos participantes de acordo com a idade?
Analu Matsubara: Já testemunhei as aulas de crianças em Puno, no Instituto do senhor Iyengar, e elas são dinâmicas, adoráveis de se ver! Contam com idades a partir de 6 anos em média. Pré-adolescentes se beneficiam muito devido ao ingresso da fase hormonal, que afeta a mente e comportamento e, em alguns casos, de forma mais desafiadora devido à perda de estabilidade nessa fase. Na menopausa, como todos os elementos que nos constituem são lançados pelos ares, os indicadores desta fase, às vezes, ficam agudos. Há a alteração de humor, a insônia, dores articulares, dores de cabeça, câimbras. A prática de asanas e de pranayamas, feitas da forma correta, terão um efeito resfriante e revigorante, focado em rearranjar toda a sustentação da coluna da mulher, o que garantirá o bom funcionamento endócrino. Particulares atenções serão dadas nas asanas para posicionar bem alinhadamente os ossos da pelve e manter a regulagem da maciez da garganta e da região do umbigo. Na menopausa a prática do Iyengar Yoga reestruturará a nova dinâmica vivida pelo corpo da mulher.

Pedaço da Vila: Como o mestre Iyengar fez comprovar os resultados de seu método?
Analu Matsubara: Até seu falecimento, em cada respiração e gesto de sua jornada, o sr. Iyengar colocou à prova sua prática de asanas e pranayamas e todo o universo de sua ciência. Os insights a respeito da criação de mais e novos props (materiais de apoio à pratica) foram sendo enriquecidos ao longo de toda uma vida. Igualmente as suas publicações foram sendo escritas com mais e mais profundidade, conexões, e por assim dizer, iluminação inspirada advinda de cada uma das células de seu tão despertado corpo.

Pedaço da Vila: O Iyengar yoga já é indicada pela Medicina Ocidental. Em que áreas é recomendado?
Analu Matsubara: Recebemos pessoas direcionadas por neurologistas, cardiologistas, ginecologistas, ortopedistas, endócrinos, oncologistas, psiquiatras e uma longa lista que seguiria, passando por praticamente todas as modalidades. Por se tratar de uma dimensão corpo/mente, a prática constante traz um benefício enorme que não colide com tratamentos de protocolar alopático.

Para ver toda a matéria acesse aqui.

História de B.K.S. Iyengar

História de B.K.S. Iyengar

Bellur Krishnamachar Sundararaja Iyengar (também conhecido como Yogacharya B.K.S. Iyengar), nascido em 14 de Dezembro de 1918, em Bellur, Distrito de Kolar, Karnataka, Índia, é o fundador do Iyengar Yoga. Considerado um dos professores de Yoga mais influentes do mundo, pratica e ensina há mais de 75 anos. Autor de vários livros e textos sobre a prática e a filosofia do Yoga, dentre eles Luz Sobre o Yoga, Light on Pranayama e Light on the Yoga Sutras of Patanjali.

Atualmente, existem centros de Iyengar Yoga espalhados pelo mundo todo, nos quais milhões de pessoas praticam o método. Yogacharya B.K.S. Iyengar recebeu o prêmio Padma Shri em 1991 e o Padma Bhushan em 2002.

B.K.S. Iyengar nasceu em uma família pobre de Hebbar e teve uma infância difícil. Sua cidade natal (Belur, Karnataka, Índia) foi atingida pela epidemia de influenza à época de seu nascimento, o que o deixou fraco e com imunidade baixa. Perdeu seu pai com apenas nove anos e, durante toda sua infância, sofreu com diversas doenças, inclusive malária, tuberculose, febre tifóide e má nutrição.

Aos 15 anos Iyengar foi viver com seu cunhado, o famoso yogi Sri Tirumalai Krishnamacharya, em Mysore. Lá Iyengar iniciou seu aprendizado na prática de asanas, o que melhorou sensivelmente sua saúde. Não demorou muito para que ele superasse suas debilidades da infância.

Com o incentivo de Krishnamacharya, em 1937 Iyengar mudou-se para Pune, com o objetivo de ensinar Yoga. Lá, durante suas muitas horas de aprendizado e experimentações em várias técnicas, sua prática se desenvolveu. Conforme seus métodos se aperfeiçoavam, aumentava o número de alunos em suas aulas e sua fama se espalhava. Em Pune, seus irmãos o apresentaram para Ramamani, com quem se casou em 1943.

Em 1952, Iyengar conheceu e tornou-se amigo do famoso violinista Yehudi Menuhin. Menuhin organizou para que Iyengar ministrasse aulas no exterior (Londres, Paris e outros locais). Esse foi o primeiro contato de muitos ocidentais com o Yoga e a prática aos poucos foi se tornando mais conhecida. Por isso, a popularidade do Yoga no ocidente pode ser em grande parte atribuída a Iyengar.

Em 1966, Luz sobre o Yoga foi publicado. Gradualmente, tornou-se um best-seller internacional, sendo traduzido para 17 idiomas. Frequentemente chamado de a ”Bíblia do Yoga”, o livro levou o Yoga através do globo. A ele se seguiram títulos sobre pranayama e vários outros aspectos da filosofia do Yoga. O Sr. Iyengar é autor de 14 livros.

Em 1975, Iyengar inaugurou o Ramamani Iyengar Memorial Yoga Institute em Pune, em memória de sua falecida esposa. Aposentou-se oficialmente como professor em 1984, mas continuou ativo no mundo do Iyengar Yoga, ensinando para turmas especiais e escrevendo livros. Sua filha Geeta e seu filho Prashant ganharam reconhecimento internacional como professores.

Iyengar foi citado como uma das pessoas mais influentes do mundo pela Time Magazine.

Tradução Livre: Ana Paula Vaz dos Santos
Revisão: Roberta Maran e Jonathan Batista

Garth McLean no Brasil

Mobilidade e Estabilidade: redescobrindo liberdade e alegria na prática – Workshop com Garth McLean

Atenção, as vagas disponíveis se esgotaram. Clique aqui para deixar seu nome na lista de espera


Garth McLean no BrasilPela 2ª vez no Brasil em agosto de 2017, Garth McLean propõe encontrar a liberdade na prática do yoga e o equilíbrio do sistema nervoso central. Essas qualidades são cultivadas por meio do desenvolvimento da coordenação, mobilidade e estabilidade e com o alinhamento dinâmico em asanas e pranayamas.

Garth McLean é um professor Sênior em Iyengar Yoga residente nos Estados Unidos. Diagnosticado em Esclerose Múltipla em 1996, Garth estava obstinado a reduzir os sintomas de sua enfermidade, assim iniciou sua prática diária de Iyengar Yoga.

Os resultados de sua prática têm sido profundos. Desde 2005, Garth monitora as lesões em seu cérebro através de ressonância magnética e os resultados comparativos vêm se mostrando muito encorajadores.

Apesar de não ser uma cura, o Iyengar Yoga mostrou que a prática diária pode levar à redução no número e intensidade das lesões no sistema nervoso, atenuando os sintomas de doenças neurológicas como a Esclerose Múltipla. Desde então Garth se mantém livre dos sintomas de sua E.M. sem o uso de medicações.

Com base nos seus resultados Garth fundou o Iyengar Yoga Therapeutics, uma organização sem fins lucrativos dedicada à ajudar pessoas a lidar com suas doenças e condições físicas através da prática terapêutica de Iyengar Yoga.

Além disso Garth viaja todo o mundo oferecendo Workshops sobre os efeitos positivos da prática de yoga sobre condições neurológicas tais quais Esclerose Múltipla, Parkinson e outras condições neurológicas.

Workshop

Os Workshops serão dias 18, 19 e 20 de Agosto no Estudyo Iyengar Yoga São Paulo. A programação será:

Dia 18 de agosto, sexta-feira
Desenvolver e manter a força, equilíbrio, mobilidade e estabilidade através da prática de ásanas e pranayamas.
Horário: das 09h30 12h00 e das 14h00 16h00 (04 horas e meia)

Dias 19 e 20 de agosto, sábado e domingo
Redescobrir o equilíbrio, coordenação, flexibilidade, energia, força, mobilidade e estabilidade de corpo e mente através do alinhamento do sistema nervoso.
Horário: das 09h00 12h00 e das 14h00 16h00 (5 horas)

A quem se destina

Praticantes com desafios no sistema nervoso são bem-vindos, mas devem seguir a indicação de participar da aula na 6ª feira (especialmente se forem novatos). Entretanto é permitido participar de todo o workshop caso o praticante considere-se apto.
Pacientes ambulatoriais (exceto cadeirantes) podem participar, mesmo sem prévia experiência, uma vez que asanas alternativos serão demonstrados, quando necessário, aos que têm as condições neurológicas de realizar as práticas.

Mensagem de Garth McLean aos brasileiros

Valores

1 dia R$ 480
2 dias R$ 700
3 dias R$ 925

 

Lista de espera

As inscrições estão encerradas, no momento é possível deixar o nome da lista de espera. Caso alguém desista entraremos em contato

Faça o pagamento

Pagamento via PagSeguro

Utilize os botões abaixo para o pagamento via PagSeguro. Certifique-se de utilizar o botão correspondente aos número de dias que vai participar

  • 1 dia





  • 2 dias





  • 3 dias





Pagamentos via PagSeguro estão sujeitos às taxas administrativas da operadora.

Pagamento via Depósito Bancário

Caso seja pagamento à prazo escolha um dia do mês para seus vencimentos. Deposite os valores de forma que na data do workshop o parcelamento esteja finalizado.

Envie imediatamente o comprovante dos depósitos para o email secretaria@iyengaryogasaopaulo.com.br para efetivação da inscrição.

Para pagamentos à vista fazer o depósito e enviar o comprovante para o mesmo email.

Os dados bancários são:

  • Banco Itaú
  • Ag 0646
  • C/C: 13072-4
  • CNPJ: 24.950.948/0001-76

Informações adicionais

Material para o curso

O professor pede que cada participante tenha disponível pelo menos:

  • 1 mat (tapetinho de Yoga)
  • 2 blocos de madeira
  • 2 cintos
  • 3 mantas
  • 1 cadeira

Com intuito de dar suporte para a participação de todos, o ESIYSP disponibiliza alguns kits de materiais para serem alugados. Consulte nossa secretaria para mais informações. Caso deseje um kit reserve com antecedência, tendo em vista que são poucos kits.

Política de Cancelamento

Caso seja necessário, o cancelamento da inscrição pode ser feito com devolução de 70% do valor total do curso até 15 dias antes do início do workshop. Após esse período não são aceitos cancelamentos

Bakasana

Como começar sua prática pessoal de Yoga em casa

Esse artigo foi publicado na Revista IYUK, em 2015, traduzido de daqui

A prática pessoal é um componente indispensável do nosso Sadhana. A orientação dos professores e a presença regular nas aulas são a fundação, mas a prática pessoal é onde o praticante pode realmente se desenvolver e incorporar o yoga na sua vida.

A evolução dos alunos acelera no momento em que começam a praticar sozinhos. Ainda assim, para muitos iniciar a prática pessoal de yoga representa uma grande dificuldade e, apesar de reconhecerem sua importância e comparecerem com regularidade às aulas, somente uma minoria logra torná-la parte de sua rotina diária. Alguns dos obstáculos no caminho da prática pessoal foram elencados por Patanjali há muitos anos atrás em um de seus notórios yoga sutras (I.30)[1], ao passo que outros obstáculos são mais pertinentes na era moderna.

Este artigo reúne ideias que se provaram úteis para muitos praticantes, mas nem todas as ideias aqui apresentadas serão de relevância para todos. Sinta-se livre para escolher aquelas que sejam mais relevantes e benéficas para suas capacidades, experiências e limitações. Caso tenha alguma dúvida, consulte seu professor ou nos escreva no email secretaria@iyengaryogasaopaulo.com.br. Que essas ideias e dicas sejam encorajadoras a criar e enriquecer a sua prática pessoal!

Iniciando a Prática Pessoal de Yoga em casa

Em geral, temos a tendência de tomar resoluções drásticas no que tange melhorar nossas vidas. Muitas vezes, iniciantes no yoga chegam ansiosos e decidem dedicar uma hora ou mais ao dia para prática. O problema com esse tipo de decisão é que em geral elas não são executáveis no contexto dos seus atuais estilos de vida e obrigações. As pressões da vida tornam a persistência na prática difícil de manter. Nessas circunstâncias o praticante descobre ser impossível cumprir sua resolução, o que, por sua vez, leva a frustração e, eventualmente, a desistência total do yoga em suas vidas. Provavelmente é a isso que Patanjali se refere quando fala de Anavasthitatva: a inabilidade em persistir no progresso gradual.

Fixar metas realistas e construir sua Prática Pessoal de yoga gradualmente

O progresso no yoga não é alcançado por revoluções, mas por uma evolução lenta e gradual. “Pratique por apenas 15 minutos ao dia, o importante não é a duração, mas a regularidade!”. Determine um tempo de prática que possa ser repetido diariamente, sem gerar mudanças dramáticas na sua rotina, e se comprometa a ele. Se você perder o intervalo reservado para a prática no período da manhã, certifique-se de compensá-lo a noite. Se você não está acostumado à prática pessoal, reservar uma hora inteira pode ser demanda demais. Reservar um intervalo mais curto pode facilitar sua alocação, simplesmente reduzindo o tempo de televisão, internet ou conversas no telefone.

Fixe um lugar na sua casa para a prática de Yoga

Encontre um lugar adequado na sua casa para praticar yoga e mantenha seu tapete sempre aberto no chão neste local, pronto para a prática. Essa atitude simples vai reduzir mais uma barreira e irá lembrá-lo de praticar caso você esqueça. O ideal é que o lugar fique próximo a uma janela, de forma a favorecer a iluminação natural e a ventilação. Também é interessante ter uma área de parede exposta e espaço suficiente para guardar seus acessórios (props), como por exemplo blocos, mantas, bolsters etc.

Yoga Mat estendido para prática de Yoga

Se puder desse jeito é bom, se não puder faça o seu melhor.

Pendure sua sequência de prática na parede

Uma dúvida comum aos iniciantes na prática pessoal é: “Eu quero praticar em casa, mas não sei quais asanas executar. Você poderia me dar uma boa sequência para minha prática pessoal?
O melhor conselho: peça uma lista recomendada de asanas ao seu professor e cole-a na parede, em frente ao seu tapetinho!

Superando a preguiça

A parte mais difícil é começar a praticar. Guruji Iyengar é conhecido por dizer que o asana mais difícil é desdobrar o tapetinho, o que é verdade! Em geral, uma vez iniciada, a de yoga flui de maneira suave e, não raro, é difícil interromper essa fluidez. Patanjali menciona dois obstáculos: um é Styana, que Iyengar traduz como falta de perseverança, falta de interesse, letargia, preguiça mental; e o outro é Alasya, ociosidade, preguiça física.

A preguiça pode não ser um obstáculo muito forte, mas existem duas estratégias para lidar com ela. Uma é imaginar a sensação de bem estar alcançada ao final da prática. Uma boa prática de yoga sempre vai fazer você se sentir renovado, relaxado e satisfeito. O simples ato de imaginar o estado mental de paz a ser alcançado é uma excelente motivação para começar a praticar. A segunda é pensar “Ok, vamos tentar por 10 minutos e ver como vai!” Independentemente do seu estado de ânimo ao iniciar a prática, é muito provável que você ultrapasse os dez minutos programados ou acabe desejando ter reservado mais tempo para a prática.

Priorize o Yoga conforme seu verdadeiro valor para sua vida

Você pode ter muitas tarefas ou projetos para completar hoje, mas o tempo investido em sua prática tem o potencial de melhorar a qualidade de todo o seu dia. Depois da prática sua mente vai estar mais clara, sua inteligência mais afiada e suas emoções mais equilibradas. Por isso, o tempo que você investe na sua prática irá mais do que compensar, uma vez que você será mais eficiente em suas outras tarefas.

Você irá sentir-se mais relaxado e tranquilo e irá desperdiçar menos tempo e energia. Você tomará melhores decisões e priorizará melhor suas tarefas. Além disso, a alegria, paz e harmonia que você experimentará, vai resplandecer. Você irá sentir-se mais feliz, o que melhorará sua interação com os outros e, possivelmente, transmitirá parte da sua alegria e serenidade também.

Há um ditado Zen: “você deve sentar-se em meditação por vinte minutos todos os dias, a menos que você esteja muito ocupado, então deverá sentar-se por uma hora”. Realmente, se você está tão ocupado que não pode dedicar vinte minutos por dia para sua prática, talvez deva repensar a maneira com que gerencia sua vida. Por que está tão ocupado? Você separa algum tempo para si mesmo ou devota todo seu tempo e energia para outras pessoas e projetos? Talvez uma hora de prática lhe de mais tempo para contemplar essas questões e mudar suas prioridades.

Com frequência, mesmo antes de sair da cama de manhã, nossa mente já está ocupada elaborando a lista de tarefas a realizar durante o dia. Em tempos de muita correria você pode até mesmo ouvir uma voz interior dizendo: “Ei, que tal pular a prática diária hoje?!”. Aprenda a reconhecer essa voz e etiquetá-la: “Ah, essa é minha voz “doença – FAÇA” falando”. Escute essa voz, mas responda: “minha querida voz, ainda que você esteja falando comigo, eu não posso escutá-la agora, pois tenho que praticar yoga. Quando terminar, realizarei todas as tarefas que você mencionou, mas agora estou fazendo algo mais importante, por favor, retire-se do meu cérebro”.

Transforme o Yoga em um hábito e pratique com disciplina religiosa

Na tradição judaica, o fiel está comprometido em realizar diariamente os Mitzvahs (cerimônias religiosas). Obrigações similares existem em todas as religiões. Uma pessoa religiosa nunca se questionaria “Devo rezar agora? Será que eu deveria pular esta cerimônia?” ela simplesmente faz. A disciplina yóguica deve ser assim.

Seja fiel ao seu Sadhana como se fosse uma religião. Se você está comprometido com esse caminho, seja determinado o suficiente para manter-se nele. Não deixe os impulsos diários tirarem você do seu equilíbrio. Reservar hora e dia fixos para a prática é o primeiro passo para torná-la um hábito. Mesmo assim, uma verdadeira disciplina deve ser enraizada na consciência.

Seja fiel à prática como se fosse uma religião

Seja fiel à prática como se fosse uma religião

Ralph Waldo Emerson disse sobre hábito e destino: “Semeie um pensamento e você colherá uma ação, semeie uma ação e você colherá um hábito, semeie um hábito e você colherá um caráter, semeie um caráter e você colhera um destino”. Nossos pensamentos, quando controlados, podem ser muito poderosos. Swami Sivananda dizia sobre esse tema:

Uma pessoa pode mudar seus hábitos, pensamentos e caráter incentivando bons hábitos e pensamentos. É o pensamento que leva o corpo a agir. Há pensamento atrás de toda ação. Há desejo atrás de cada pensamento. Não deixe que os desejos controlem seus pensamentos. Não se deixe levar facilmente por qualquer tipo de desejo, pensamento ou emoção. Quando um desejo se manifestar reflita, pense bem. Racionalize se esse desejo em particular, direcionado a esse objeto em particular, irá trazer felicidade máxima e dor mínima. Se assim não o for, rejeite-o impiedosamente. Não tente satisfazê-lo. Você deve controlar o desejo através dos pensamentos.

Pratique conforme sequencias aprovadas

A tarefa de lembrar os asanas e decidir em que ordem praticá-los é difícil para iniciantes. Sequências pré-definidas, montadas por professores qualificados estrutura a prática e permite ao praticante um progresso seguro e gradual.

Você pode optar por seguir as sequências dadas no livro “Luz sobre o Yoga”. Essas sequências são inspiradoras, mas elas podem ser muito desafiadoras para o praticante comum. Existem, todavia, excelentes sequências que podem ser utilizadas por principiantes, permitindo a progressão gradual para asanas mais avançados. Por exemplo: Comece seguindo o curso de 28 semanas dado pela Geeta Iyengar no Chapter X do Yoga in Action – Preliminary Course, Siga as 10 sequências dados no Chapter V do Basic Guidelines for Teachers of Yoga do BKS & Geeta Iyengar.

Nossos Gurus, os Iyengars, elaboraram cuidadosamente as referidas sequências e devemos segui-las até que estejamos maduros o suficiente para estabelecer as nossas próprias. Elas abrangem asanas de todos os grupos básicos, incluindo asanas em pé, sentado, extensões e flexões, bem como inversões e torções.

Uma característica dessas sequências é que todas elas trazem asanas em pé e invertidas. No Yoga in Action Intermediate Course-I, Geeta diz: “Os asanas em pé são a fundação; portanto, o praticante deve começar por eles para poder fortalecer a coluna”. Em Womans Yoga Practice, Geeta Iyengar e Lois Steinberg afirmam:

Os benefícios do Sirsasana e do Sarvangasana não podem ser suficientemente ressaltados. Os praticantes de posturas invertidas experienciam seus efeitos diariamente. Se alguma circunstância diminuir o tempo de prática, eles sabem que devem mesmo assim executar Salamba Sirsasana I e Salamba Sarvangasana I, uma vez que seus efeitos fariam falta.

Posturas em pé e inversões são tão importantes que deveriam ser parte da rotina diária do praticante (exceto quando sua execução não for indicada, como, por exemplo, durante o período menstrual). Quando for construir sua prática pessoal, siga as orientações dadas por Geeta em Yoga in Action, dando especial atenção à leitura da introdução do Preliminary Course e a seção Method of Practice do Intermediate Course I.

Praticantes avançados que já amadureceram sua prática não necessitam sequências externas, mas devem praticar asanas de todos os principais grupos no decorrer da semana. Isso requer conhecimento íntimo dos asanas e seus efeitos, por esse motivo, no início (o que pode durar anos) é melhor seguir sequências dadas por professores com grande conhecimento e experiência.

Certifique-se de que sua prática é interessante e agradável

Em Yoga in Action – Preliminary Course, Geeta Iyengar dá o seguinte conselho:

Não sobrecarregue sua mente com a ideia de executar demasiados asanas. Não pressione sua mente com a ideia que praticar consome tempo. Inicie a prática com a liberdade da mente. (Chapter X)

Sua prática deve ser interessante e agradável. Sim, para progredir você deve estar focado e determinado, mas, se você sente que sua prática é um peso, pare e pergunte-se honestamente qual pode ser a causa desse sentimento. Em a Árvore do Yoga B.K.S. Iyengar escreve:

Você é um principiante no yoga. Eu também sou um principiante desde onde deixei minha prática ontem. Eu não trago as posições de ontem para a prática de hoje. Eu sei as poses de ontem, mas quando eu as pratico hoje me torno um iniciante. Eu não quero a experiência de ontem. Eu quero ver que novo entendimento pode vir além do que eu já senti até agora.

Se sua prática é rasa e mecânica se tornará enfadonha; você não irá se sentir engajado. Cada sessão deveria trazer consigo uma sensação de frescor; algum novo aprendizado; acesso a um novo território interno que você nunca visitou. Dessa forma, a prática nunca será tediosa nem nunca será considerada um peso para o praticante.

Bakasana

Mantendo a prática interessante

Um bom professor encoraja o aluno a explorar suas camadas mais profundas através de instruções cuidadosas e questionamentos perspicazes, mas como fazer quando praticamos sozinhos em casa?

A chave é adotar uma mente inquisitiva e curiosa. Por exemplo: buscar ações que se repetem em diferentes posições; ou explorar como diferentes posições afetam a respiração; ou tentar executar a mesma posição com diferentes props.

Props são um aspecto único do Método Iyengar. Independentemente de limitações físicas, props podem ser usados para investigar e aprofundar a experiência dos asanas. Eles permitem explorar os efeitos dos asanas e expandir a consciência para regiões do corpo ainda inexploradas.
No livro 70 Glorious Years of Yogacharya B.K.S. Iyengar afirma:

O praticante entende e aprende asanas mais rápido quanto utiliza props, uma vez que o cérebro se mantém passivo. Através de um cérebro passivo o praticante aprende a estar alerta em seu corpo e sua mente. Props são guias para o auto-conhecimento. Eles ajudam com precisão e sem erros.

No e-guide Blocks for a Yoga Practice, demonstra-se a utilização de blocos, bem como de outros props. Props são utilizados para direcionar a consciência para uma região do corpo, para auxiliar na movimentação de músculos tensos, para conferir o alinhamento do corpo, para ativar pernas e para aumentar a permanência em asanas mais desafiadores. Também há um e-guide que trata de práticas restaurativas, o livro contem mais de 60 sequências completas, chama-se Relaxed Body – Relaxed Mind.

Use um cronômetro para desenvolver sua resistência

Asanas são estados psico-físicos que devem ser mantidos por um certo tempo. A permanência nas posições está no coração da prática. Use um cronômetro quando investir em aumentar suas permanências. Mantenha-se até o beep – isso ajuda a desenvolver histamina e determinação.

Hoje é fácil acessar cronômetros sofisticados, adaptados para a prática do yoga, em qualquer computador ou telefone celular. Permanecer por um minuto em uma pose de equilíbrio (como Virabhadrasana III), ou 10 minutos em uma flexão para frente (como Paschimottanasana) ou 15 minutos em uma invertida (como Salamba Sirsasana I) requer força de vontade e determinação. Utilizar um timer libera sua mente para concentrar-se na precisão e em reduzir o esforço para manter a posição, ao invés de preocupar-se com o tempo. Além disso, quando se executa um ciclo de asanas, é possível adicionar bipes intermediários para sinalizar quando mudar para a próxima variação do ciclo.

Entretanto, tenha cuidado para não se tornar dependente de instrumentos externos. Ao final, você deve desenvolver um sentimento interno de quanto tempo é benéfico permanecer em cada asana naquele dia em particular. O seu cronômetro interno deve ter as dimensões fisiológicas e psicológicas, não somente cronológicas.

Seja prudente: mantenha um progresso lento e estável

Praticantes altamente motivados eventualmente começam a praticar em casa e após algumas semanas reclamam de dores, culpando a intensidade da prática por suas lesões. Na transição de uma prática semanal para uma prática diária problemas até então ocultos e desequilíbrios são desencadeados e podem se manifestar através de novas sensações e dores.

Quando se inicia uma prática pessoal de yoga é muito importante ser prudente e progredir gradualmente. “Não existe um ‘yoga imediato’ – yoga é um projeto de vida” (possivelmente um projeto de várias vidas). Não adianta tentar progredir mais rápido do que sua habilidade natural. Seja honesto e aceite suas limitações. Desenvolva paciência e satisfaça-se com um progresso lento, mas estável. Prepare bem o corpo com as posturas básicas (basicamente posturas em pé) antes de tentar poses mais avançadas. Escute seu corpo e lembre-se dessas palavras conclusivas de Geeta Iyengar em Yoga in Action – Preliminary Course:

“Um início auspicioso e bom leva o praticante ao fim Máximo. Devagar e com estabilidade se ganha a corrida. Nosso dever como principiantes é manter-nos na prática com uma mente estável e firme.”

Escute sua dor

Se você tem uma dor persistente você deve investigar e descobrir a sua causa. Iyengar diz: “A dor vem para guiá-lo, a dor é seu Guru”. Aprenda a diferenciar entre “dor boa”, que indica um progresso saudável dentro do potencial de seus músculos e articulações e “dor prejudicial”, que indica que você violou esses limites. Nunca ignore a dor, mas não entre em pânico. Escute com atenção o que esse Guru (a dor) tem para dizer, consulte seu professor e, se necessário, troque sua prática para evitar dores não saudáveis.

Se a mesma dor persistir sem explicação, consulte seu médico.

Não discrimine entre tipos de asanas

Você deve praticar todos asanas que são adequados ao seu nível. É natural ter seus preferidos e aqueles que você não gosta tanto. Todavia, há um valor significativo de aprendizagem na realização dos asanas que são mais difíceis para você.

O Bhagavad Gita (II.48)[2] diz que yoga é Samatvam (mente igualitária, equanimidade), ou seja, o yogi trata tudo e todos com a mesma dignidade e respeito. Então a nossa prática deve nos levar ao encontro desse ideal. Cada asana tem seu benefício único. Lembre-se que o objetivo máximo da prática de asanas é mental; observe sua consciência durante a execução dos asanas que você menos gosta; aprenda com isso enquanto desenvolve resistência e equanimidade.

Virabadrasana III Iyengar

Equanimidade

Adapte a prática para sua condição atual

Nossa prática nunca deve se tornar uma rotina cega. Devemos desenvolver sensibilidade e consciência para nossas condições físicas, psicológicas e mentais. A prática deve mudar a cada dia, acompanhando fatores como sua condição de saúde atual e nível de energia, e ser adaptada de acordo com nossa idade, o clima, a hora do dia e outros fatores.

Quando você começa sua prática, acesse sua condição e selecione o tipo de prática que é mais adequada para aquele dia. Por exemplo, se você está se sentindo para baixo em um dia particular, é melhor selecionar asanas enérgicos para estimular a respiração e a circulação, bem como abertura peitoral (extensões são ideais para isso); por outro lado, se você está sofrendo com uma dor de cabeça, agitação ou pressão alta, escolha uma sequência relaxante com permanências longas e flexões para frente com suporte. Quando você se sentir exausto após um longo dia de trabalho, faça uma prática restaurativa. Mulheres também devem levar em conta as mudanças que ocorrem durante o ciclo menstrual.

Faça um diário da sua prática, registre como você se sente durante e após a prática. Descubra porque você estava tentado a não seguir com a sua prática naquele dia. Você estava genuinamente cansado ou só estava evitando determinados asanas, e se for assim, por quê?

Busque suporte em sua família e amigos quando necessário

Membros da família e amigos que o apoiem podem ajudar a manter sua prática pessoal. Uma vez que você decida a praticar diariamente, dê conhecimento desta decisão para os membros da sua família e amigos, e peça que eles o apoiem. Por exemplo, seu parceiro pode encorajá-lo a praticar em um dia que você não está com muita vontade e lembrá-lo de sua decisão (claro que ele deve fazer isso com cuidado e sensibilidade às circunstâncias).

Se você tem um amigo ou colega com quem pode praticar, isso pode ajudar no seu comprometimento com a prática. Algumas pessoas acham muito mais fácil praticar com um amigo ou em pequenos grupos. Mas cuide para que a prática não se torne um evento social com muita conversa. Solidão é melhor para uma prática pessoal.

Considere utilizar instruções gravadas

Existem diversas aulas em áudio e em vídeo na internet, bem como CDs gravados. Esses instrumentos podem ajudar você a estruturar sua prática. Entretanto, sempre considere:
Primeiro: aulas gravadas nunca vão substituir um professor. O papel do professor é observar o praticante e corrigir seus erros. Isso não pode ser feito por controle remoto. Para além do aspecto técnico, um professor também é um modelo a ser seguido e uma fonte de inspiração. A relação entre professor e aluno é muito significativa para o progresso no caminho do yoga.

Em segundo lugar, aulas gravadas acabam por ser repetitivas (naturalmente) e deixam a desejar nos quesitos de observação e investigação interna. A prática é uma oportunidade para estar com você mesmo e observar sua mente e flutuações, para aprender a restringi-las. Esse é o maior benefício do yoga que pode escapar se você pratica sempre com aulas gravadas. Por isso, se você optar por utilizar aulas gravadas, busque equilibrar com práticas pessoais livres, para não se tornar dependente de orientação externa.

Peça ajuda – se você se sente perdido, peça ajuda ao seu professor.

Tradução: Ana Paula Vaz dos Santos.
Revisão: Roberta Maran e Jonathan Batista

Notas de rodapé


I.30 –
Este sutra descreve os nove obstáculos ou impedimentos que obstruem o progresso e distraem a consciência do aspirante.
Esses obstáculos podem ser divididos em físico (a e b), mental (c, d, e, f) , intelectual (g) e espiritual (h, i):

  • a) Doença
  • b) Falta de interesse ou lentidão
  • c) Dúvidas persistentes
  • d) Orgulho ou descuido
  • e) Ociosidade
  • f) Sensação de gratificação
  • g) Vivendo em um mundo de ilusão
  • h) Falta de perseverança ou não ser capaz de se agarrar ao que foi empreendido
  • i) Incapacidade de manter o progresso obtido devido ao orgulho ou à estagnação nas práticas

II 48 – yoga-sthaḥ kuru karmāṇi saṅgaṁ tyaktvā dhanañjayasiddhy-asiddhyoḥ samo bhūtvā samatvaṁ yoga uchyate
Seja firme no cumprimento de seu dever, ó Arjun, abandonando o apego ao sucesso e ao fracasso. Tal equanimidade é chamada Yog.